Quero escrever palavras novas, mas não consigo. Por que? Porque as emoções e os sentimentos são os mesmos. Se repetem. Não que sejam antigos, mas são cíclicos. É o eterno retorno. Nada de novo, exceto a vontade de que tudo não acabe de forma tão igual. Quero escrever palavras novas e preciso inventar um sentido para elas. Tá difícil. Então recorro a Gonzaguinha, e , ..."fico com a pureza da resposta das crianças. É a vida, é bonita e é bonita."
Aí, pra não dizer que não escrevi nenhuma palavra nova (mesmo que não tenham sido criadas por mim), citarei Ana Terra, minha sobrinha e afilhada, uma das pessoas mais belas em sua idade, beleza de verdade, que chegou pra mim e disse: -"Padinho, minha Mãe dançou madalém".
– O quê Ana Terra?
-"Minha Mãe dançou madalém!"
-Como?
-"MÁAA- DÁ- LÉEEEEM!!!"
Caiu a ficha. Aninha, minha cunhada, havia dançado com um par e mais um casal de dançarinos, no sábado à noite, durante o aniversário de 80 anos de minha Sogra (QUERIDA) a música Nada Além. Parece meio óbvio Madalém, mas a pronúncia é que foi determinante para a confusão. Saiu tudo junto e bem pronunciado. Fiquei esperando algo mais e nada. Era aquilo mesmo, Madalém. E com muita propriedade. MADALÉM! Isso tudo me trouxe lembranças, que na verdade são a negação do esquecimento (me recuso esquecer), de meus filhos quando pequenos. Xavana dizia: "pórtico". Algo assim como chato, antipático. "Você é um pórtico". Nada a ver com o sentido original da palavra. Xaeny falava num "inglês perfeito"quando queria xingar alguém ou só por gaiatice: "soniê de putch". Tradução: filho da puta. Tem muitas mais. Mas, o que quero dizer é que palavras novas ou com sentidos diferentes do original servem para expressar as mesmas idéias já existentes. Não há nada de novo. Que pena. Que droga.